“Untitled” por Pedro Henrique Pinheiro

“Debruçado nesta mesa

Estou à espera de mensagens

Com o brilho dessa tela

Que se torna maquiagem

 

Aqui sou quem eu quiser

Rico, pobre, branco ou preto

Neste mundo de fantasias

Posso ser até mulher!

 

O mundo viciou

O amor se modernizou

As cartas desapareceram

E declarações se perderam

 

Whatsapp virou moda

Todo mundo se acomoda

Nesse jeito de viver

Que tanto me incomoda

 

Não aguento mais ver isso

O mundo está submisso

À tanta tecnologia

Que já virou epidemia!

 

Por isso faça me o favor

Termine de ler este poema

E extravase seu amor

 

Desligue tudo

E não se torne mais um mudo

Há um mundo la fora

Com pessoas reais

“Onlines” 24 horas

 

Marque pra sair

Vamos nos divertir

Vamos ao cinema

Faça a vida valer a pena!”

 

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Quando o ódio bate no córtex

Tão corrosivo quanto amônia

Entra e sai sem cerimônia

Não aguenta monotonia

Logo acaba com a harmonia

 

Faz de tudo para que dê errado

O que um dia já foi adequado

Esmaga coração acabado

Olha o menino! Coitado!

Está sendo arrastado

Maldito seja esse desalmado

Que faz todo homem virar culpado

O silêncio reinante.

O texto abaixo foi inspirado no conto de G. G. Márquez, “Só vim telefonar”.

 

 O silêncio reinava no cômodo. Ninguém se mexia. Ninguém falava. Ao longe os gritos de alguns pacientes eram abafados pelas paredes opressoras. Se não fosse pela respiração descompassada de Maria e pela  pesada do médico; poderia dizer que o quarto estava vazio.

   A mulher se encontrava presa entre os tentáculos da poltrona sob o olhar frio e calculista do Dr. Cardoso.

   -Então, senhorita, mandou me chamar? – questionou o homem pausadamente. A mulher, assustada, hesitou por alguns instantes.

   -Si-sim… –respondeu gaguejando. Já fazia quase um ano s desde que chegara aqui. Vultos passaram por ela, fazendo-a tremer da cabeça aos pés. Não causava brigas… comia tudo e tomava todos os medicamentos que as enfermeiras pediam… não tinha mais alucinações…

   -Tem certeza? –perguntou Cardoso arrastando-se nas sibilantes. Maria percebeu que a língua dele se semelhava a de uma cobra. Engoliu em seco e consentiu.

   -Quando chegou aqui, você pedia constantemente para telefonar para o seu “marido”. Algo a dizer sobre isso?

    A moça pensou um pouco – a lembrança das enfermeiras tentando acalmá-la para, logo em seguida, enfiarem-lhe os comprimidos goela abaixo.

   Ela estava desesperada e perdida. Não falava coisa com coisa. Agora sabia ter sido uma mentirosa. Aprendera a não contar mais mentiras. Sequer reparava nas aranhas que subiam pouco a pouco pelo seu braço, eriçando-lhes os pelos, submersas no branquíssimo pijama, insinuando-se lentamente até chegarem a pescoço

   -Bom, bom… –resmungou o homem escrevendo algo no papel à sua frente. –Entregue isso as guardas, por favor. – pediu destacando o papel e entregando-o a ela.

   Maria caminhou esperançosa até a porta, não ligando para as espirais que consumiam o quarto. Mais um pouco ela estaria livre. Já conseguia se ver lá fora, cercada de vida e liberdade. Cercada de pássaros, árvores e aromas. Não estaria livre de seus pensamentos e obsessões, mas não importa; encontrara a saída.

 

Avião, 04 de janeiro de 2014

Avião, 04 de janeiro de 2014 (como é estranho escrever “2014”)

Querida Amélie,

Caramba, estou frustrada! Acho que essa seja a palavra que eu esteja procurando para descrever como estou meu sentindo agora. Desculpe começar assim uma carta para você, mas deixe-me explicar: estou em um voo entediante para Maringá, uma cidade no Paraná para visitar familiares tentando a todo custo vencer a chatice que deve durar uma hora. Pensei em escrever sobre mil e duas coisas: como nós, seres humanos, nos achamos superiores às outras espécies, como uma amizade pode simplesmente acabar com algumas palavras, como algumas pessoas são especiais em nossas vidas, como eu estou me sentindo em me mudar de colégio (de novo), ou sobre o depoimento de um serial killer. No final, decidi escrever para você.

Ando meio desestimulada pra escrever, não sei o motivo disto, só sei que, dos milhares de temas existentes na terra, nenhum deles me faz querer continuar escrevendo. Bizarro isso, não? Vejamos, eu poderia encher sua mente sobre a minha opinião política, ou se eu concordo ou não com a Copa. Poderia falar sobre o fato de que há pessoas que simplesmente não têm o mínimo de educação, ou sei lá, eu acho que esse avião vai cair.

Já faz muito tempo que não escrevo. Há tempos estou tentando, mas nada de satisfatório é extraído da minha mente. Talvez seja porque estou muito agitada. Não, não estou praticando muito exercício físico. Para ser verdadeira, nenhum. Minha rotina nas férias foi reduzida a: acordar, tomar café da manhã, ir ver TV, almoçar, ler um livro, facebook, lanchinho da tarde, banho, irritar minha irmã, brincar com o gato, jantar, ver TV, comer mais um pouco e dormir. Emocionante, não? Acho que estou agitada porque estou com medo, mas ao mesmo tempo, estou confiante. Estranho essa mistura de sentimentos dentro de uma pessoa só. Foram muitas emoções esse ano (acho que devo dizer ano passado?): mudar para São Paulo, entrar em um colégio totalmente desconhecido, conhecer pessoas muito diferentes e com culturas que para mim são exóticas. Adotar um gatinho, familiares doentes, conhecer novas religiões.

Resumindo, acho que estou agitada por dois motivos: 1) a mudança de colégio. Estou apostando todas as minhas fichas nele. Espero que aquele seja a escola da minha vida. Nos dois últimos colégios que eu passei, apelidei eles de inferno e prisão. Quero que ano que vem, quando me perguntarem onde eu estudo eu diga com orgulho o nome dele e não com pêsames. 2) Lembra que eu te contei que conheci algumas pessoas da minha família que são incríveis? Eles são pessoas que você pode sentar e conversar a tarde inteira sobre todos os assuntos existentes e polêmicos, como política, religião e futebol. Pessoas divertidas e animadas sempre. Eles estão passando por alguns problemas de saúde sério. Mas, sei lá, tenho muita fé que tudo dará certo! Simplesmente sinto que tudo está acontecendo porque deveria ser assim, mas o final dessa história parece-me ser um final feliz nos padrões “humanos”.  

Bem, acabei esquecendo os bons modos… como você tem passado? E a dona Márcia e o seu Carlos? E o gatinho que vocês adotaram? Está se comportando? Espero notícias suas. Ahhh!!! Feliz 2014!

Beijos e abraços,

Giu. 

A TV Brasileira Vista Pelos Estrangeiros

Para quem não teve a oportunidade de ver esse programa, vou fazer um resumo rápido: uma britânica chama Daisy Donovan viaja ao redor do mundo para saber o que se passa na TV local de cada país e faz críticas a cada um deles. Nesse episódio foi a vez do Brasil.
Infelizmente essa é a nossa realidade. Competição para Miss Bumbum. Mulheres se humilhando para conseguir status. Uma população extremamente pobre, tanto financeiramente quanto intelectualmente. Um governo que aparentemente se preocupa mais com a Copa do que com o povo. Crianças sendo bombardeadas com constantes insinuações de sexo, morte e tráfico de drogas em diversos canais de televisão. Um país extremamente machista. E o mais bizarro é que para nós é algo completamente normal deitar no sofá e ver mulheres seminuas dançando ou corpos sangrentos jogados na rua. Estou ciente que a maioria desses programas são destinados a um público de renda baixa ou média, mas parece que esquecemos que em nosso país isso significa mais da metade da população. Somos desde de pequenos programados a nos entreter com cenas machistas e agressivas. Essas mesmas crianças crescem e fazem o mesmo com seus filhos, criando um ciclo viciante. Não me acho no direito de criticar essas pessoas porque elas vivem em realidades completamente diferente que a minha, mas posso alertá-las antes que sejam massificadas, se já não foram.

OBS: O vídeo é em inglês, mas você pode habilitar as legendas do Youtube clicando em “captions”