11 de Setembro

Entrei no avião e sentei-me no lugar que a passagem havia determinado. Olhei para fora da janela e vi o aeroporto. Esperava que fosse a última vez que eu o veria, pelo menos, desacompanhado. A aeromoça mostrou as normas de segurança, mas ninguém realmente prestava atenção nela, especialmente eu. Minha cabeça estava voltada a uma loira de olhos negros à milhas de distância. Meu coração se apertou de saudade, mas saber que em algumas horas estaríamos juntos novamente, o fez se acalmar.

Em questão de minutos o avião cortou o céu costurando entre as nuvens. Pela primeira vez em meses, senti uma paz absurda. Logo eu estaria com meu amor. Encostei minha cabeça na poltrona fedida e adormeci.

(…)

Acordei depois de três horas de vôo. New York. Estava com saudades da Big Apple. Lá embaixo o trânsito parecia-me estranho. Talvez por estar tantos anos longe da minha cidade natal tenha causado essa sensação de estranheza.

O avião desviou levemente do percurso. Mas o que estava acontecendo? O aeroporto era para o outro lado… Olhei mais adiante e vi fumaça. Muita fumaça. Pela localização percebi que era uma das torres gêmeas. Ela havia sido atingida por algo. Anos no exército me fez ter um raciocínio rápido e bom o suficiente para eu perceber o que estava acontecendo. Eu iria morrer, e sem vê-la pela uma última vez. Sem poder tocá-la. Sem poder construir uma família ou a minha vida ao seu lado.

 “Eu te amo, Angel…” – foi à última coisa que eu pensei antes da colisão.

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