Carta de uma fã

Compus o texto abaixo para o colégio. Nele assumi uma personalidade nojenta, detestável.
Por gentileza, fiquem com raiva da personagem que eu criei, não de mim.
J

 

***

 

Las Vegas, 27 de Agosto de 1969.

 

Querido Elvis,

 

Na vida encontramos muitas pessoas que deixam cicatrizes ruins em nós, você foi uma delas para mim. Com seu jeito de malandro, roupas
rebeldes e rebolado sexy
, você acabou me seduzindo. Não só a mim, mas
também a milhares de meninas histéricas – e de alguns homens também.

Lembro-me de quando ouvi sua voz rouca pela primeira vez; fiquei arrepiada. Logo no dia seguinte, falei com as minhas amigas sobre esse tal de Elvis. Em pouco tempo ficamos fanáticas pelo Presley!

Íamos ao camarote de seus shows – Deus me livre ficar na pista! -, comprávamos todos os seus discos, amávamos seus filmes e até mesmo conseguimos falar com sua mãe quando ela ainda estava viva (ter um pai ficoinfluente pode fazer milagres!). Mas devo dizer que no começo fiquei um pouco receosa de que você fosse negro. Pensei até mesmo em deixar de ser sua fã por causa disso. Mas um dia ouvi uma entrevista na rádio e descobri que você frequentava uma escola de brancos. Fiquei aliviada. Santo Deus me livre, eu, linda, loira, branca de olhos claros e rica, ser fã de uma pessoa negra pobre…

Lembro-me de quando fui ao set de gravação de um dos seus filmes. Fiquei sonhando acordada em te conhecer e nos apaixonarmos. Você nem me notou. Fiquei muito abalada, mas deixei passar. No entanto, quando soube que você estava com uma tal de Priscilla, isso me deixou louca de raiva! Como você preferiu aquelazinha em vez de mim?!

A gota d’água foi quando eu descobri que você fazia doações aos pobres. Você não tem obrigação de ajuda-los! Eles que vão trabalhar para ganhar dinheiro!
Imagine se todo mundo começa a fazer o mesmo! Todos nós seríamos iguais monetariamente! Deus me livre frequentar os mesmos locais que os negros!

Se antes eu te colocava em um pedestal, agora você está na lama para mim. Ter um ídolo é ter alguém em quem se espelhar. Eu nunca levaria como exemplo alguém que fica constantemente pensando no outro e fazendo algo para eles ou que fica dando mansões para os pais. O que eles fizeram por você não foi nada menos do que obrigação. E por que diabos você foi para o exército? A guerra não era sua!

Imagina se você morresse! Você deveria pensar mais em você – e em mim – antes de fazer essas loucuras!

Sua ex-fã,

Grace Fray

 

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